domingo, 26 de julho de 2015

Justississes (26/07/2015)



Olá, como estão?


Já se sabe a medida de coação do Ricardo Salgado.
Até que enfim, já não era sem tempo!
Mas também, grande coisa: prisão domiciliária.
A montanha pariu mesmo um rato. E daqueles bem pequeninos.
Então o homem é arguido em 7 processos e vai para casa?
E outro (leia-se José Sócrates), que nem sequer arguido é (ainda) está em prisão preventiva há já 8 meses.
Mas que raio de justiça é esta, alguém me sabe explicar?
Quem me conhece sabe que eu não sou partidária, nem aprecio, o José Sócrates.
E eu até acredito que ele possa ter alguma culpa no cartório, mas se calhar não à escala que dizem.
Já lá diz o povo: quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto.
Mas o povo também diz: não há fumo, sem fogo.

Mas sabem o que me irritou ainda mais na história do Ricardo Salgado?
A posição do Ministério Público, que não gostaram da medida aplicada: queriam ainda menos, acho que só a proibição de viajar para o estrangeiro.
E é assim que querem que os portugueses acreditem na justiça?
Pois, está bem…

Posso muito bem estar profundamente enganada, mas tudo isto me parece uma autêntica cortina de fumo.
Mas a figura do José Sócrates assusta assim tanto certas figuras deste país?
É que tudo isto me parece tresandar a medo… E é cá um fedor…

Mas vamos imaginar que é mesmo tudo verdade – que ele fez mesmo o que dizem.
Então, o homem é mesmo… maquiavélico.
(Curiosidade ou não, o significado da palavra nada tem a ver com dono do nome que está na origem da mesma: Maquiavel).

E por falar em medo, acho que é mesmo isso que a figura do Ricardo Salgado causa.
Mas é um medo mais próximo, palpável.
Senão, como se explica todos estes “paninhos quentes”?...
Enquanto que com o outro, o José Sócrates, a coisa fia mais fino: ai, o medo é mais abstracto, mais irracional.
Faz-me lembrar aquilo que nos diziam em crianças: se não te portas bem, vem aí o papão.
Traduzido para a linguagem deste Governo: se não votas em mim, vem aí o Sócrates.
Ridículo, se querem saber a minha opinião.
Até parece que o homem é o Diabo em pessoa…
Ele até pode ter muita culpa no cartório, mas há que manter alguma objectividade.
E, já agora, sanidade.


Parece que, quando anunciou a data para as próximas eleições legislativas, Cavaco Silva exigiu um novo governo de maioria.
Exigiu?!...
Essa é boa!
Quando muito, pode pedir, ou dar a opinião dele, mas exigir?!


Por hoje é tudo.
Até uma próxima oportunidade.





domingo, 19 de julho de 2015

(Des)Acordos (19/07/2015)

Olá, como estão?


Hoje, estou numa de me sentir agradecida.
Por tudo.
E por todos.
Pelo que já veio.
E pelo que está por vir.


Quem me conhece sabe bem que não subscrevo o Acordo Ortográfico: parece-me demasiado facilitismo.
Nas minhas coisas pessoais, não o sigo. Mas nas coisas ditas “oficiais” (por ex., as da APAHE, entidade com a qual colaboro), sigo.
E não resisto a partilhar aqui um pequeno texto sobre o Acordo Ortográfico:

“ ACORDO ORTOGRÁFICO - JOSÉ MANUEL FERNANDES
 Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e
acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a
mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .
É um fato que não se pronunciam .
Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?
O que estão lá a fazer ?
Aliás, o qe estão lá a fazer ?
Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .
Porqe é qe "assunção" se escreve com "ç" "ascensão" se escreve com "s" ?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome.
Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o "ç" .
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o "ç" e o substitua por um simples "s" o qual passaria a ter um único som .
Como consequência, também os "ss" deixariam de ser nesesários já qe um "s" se pasará a ler sempre e apenas "s" .
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas,designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar.
Claro, "uzar", é isso mesmo, se o "s" pasar a ter sempre o som de "s" o som "z" pasará a ser sempre reprezentado por um "z" .
Simples não é? se o som é "s", escreve-se sempre com s. Se o som é "z" escreve-se sempre com "z" .
Quanto ao "c" (que se diz "cê" mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de "q") pode, com vantagem, ser substituído pelo "q". Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras.
Nada de "k" .Ponha um q.
Não pensem qe me esqesi do som "ch" .
O som "ch" será reprezentado pela letra "x".
Alguém dix "csix" para dezinar o "x"? Ninguém, pois não ?
O "x" xama-se "xis".
Poix é iso mexmo qe fiqa .
Qomo podem ver, já eliminámox o "c", o "h", o "p" e o "u" inúteix, a tripla leitura da letra "s" e também a tripla leitura da letra "x" .
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .
Não, não leiam "simpléqs", leiam simplex .
O som "qs" pasa a ser exqrito "qs" u qe é muito maix qonforme à leitura natural .
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .
Vejamox o qaso do som "j" .
Umax vezex excrevemox exte som qom "j" outrax vezex qom "g"- ixtu é lójiqu?
Para qê qomplicar ? ! ?
Se uzarmox sempre o "j" para o som "j" não presizamox do "u" a segir à letra "g" poix exta terá, sempre, o som "g" e nunqa o som "j" .
Serto ?
Maix uma letra mud a qe eliminamox .
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !
Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?
Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?
Outro problema é o dox asentox.
Ox asentox só qompliqam !
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .
A qextão a qoloqar é: á alternativa ?
Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra "a" .
Umax vezex lê-se "á", aberto, outrax vezex lê-se "â", fexado .
Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax .
Vejamox o "o": umax vezex lê-se "ó", outrax lê-se "u" e outrax, lê-se "ô" .
Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !
qe é qe temux o "u" ?
Se u som "u" pasar a ser sempre reprezentado pela letra "u" fiqa tudo tão maix fásil !
Pur seu lado, u "o" pasa a suar sempre "ó", tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra "e", também pudemux fazer alguma qoiza : quandu soa "é", abertu, pudemux usar u "e" .
U mexmu para u som "ê" .
Max quandu u "e" se lê "i", deverá ser subxtituídu pelu "i" .
I naqelex qazux em qe u "e" se lê "â" deve ser subxtituidu pelu "a" .
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u "til"
subxtituindu, nus ditongux, "ão" pur "aum", "ães" - ou melhor "ãix" - pur
"ainx" i "õix" pur "oinx" .
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de
arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a
simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu
mundu .
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?...


I porqe naum?...

.
Ainda outro acordo, mas não ortográfico: o tal acordo para o 3.º resgate para a Grécia.
Foi difícil e suado, mas lá se conseguiu.
Agora, na própria Grécia, já há muita contestação ao Tsipras.
Por ele ter, no entender de alguns, capitulado perante os credores.
Mas, na minha opinião, o grande pecado (chamemos-lhe assim) de Tsipras foi o de ter prometido o que não sabia se podia cumprir.
Se até fez um referendo…
E, esta é só a minha opinião, transmitiu uma imagem demasiado arrogante e sobranceira nos contactos com os seus parceiros europeus.
Atenção, também não estou a defender que devia ter sido subserviente. Nada disso.
Mas assim…
Vocês conhecem aquele provérbio: “Entrada de leão, saída de sendeiro”?
Pois, foi mais ou menos o que aconteceu aqui… Pelo menos, na minha opinião…
Há vozes que dizem que o acordo alcançado em nada é benéfico para a economia grega, pois ao invés de a estimular, proporcionando o tão necessário crescimento económico, só a vai estrangular ainda mais.
Pode muito bem ser.
Como eu não percebo nada de economia (pelo menos, a macro), deixo esse assunto para os especialistas.
Mas há uma coisa que me faz uma confusão do caraças: uma das medidas que o Tsipras disse que ia tomar, era a reforma do sistema fiscal.
Mas isso, mesmo certo, não tinha ainda sido feito?
Então, mas a Grécia não teve uma Troika, de três em três meses, a “melgar-lhes” o juízo, avaliando as medidas já tomadas e autorizando o próximo financiamento?
Se sim, a Troika também deve ter alguma culpa no cartório… pelo menos, na minha leitura da situação.


Ainda por causa da Grécia, lembram-se do Passos Coelho ter puxado dos galões e ter vindo a público dizer que tinha sido dele a ideia que permitiu desbloquear o impasse e alcançar-se um acordo para a Grécia?
Pois para o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, a ideia partiu do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, via SMS.
Então, no que é que ficamos?
(Não que isso tenha grande interesse… Mas já agora, gostava de saber quem está a mentir.)


Por último, toda aquela lamentável chinfrineira acerca da mulher do Passos Coelho.
Sou só eu, ou vocês também acharam aquela história toda um disparate pegado, uma coisa sem pés nem cabeça?
E todos aqueles que se atreveram a criticar a Senhora por aparecer em público da forma corajosa que apareceu, assumindo sem falsos pudores o momento difícil por que está a passar, essa gentalha, corja, sei lá mais o quê… deviam era rastejar para debaixo da pedra de onde vieram.
Eu não gosto do Passos Coelho, mas acusá-lo de aproveitamento político?
Essa gente anda a ver telenovelas a mais.
E mesmo que o fosse, era com autorização dela. Portanto ninguém tem nada a ver com isso.
Como li nas afirmações dum acho que sociólogo, aquela imagem, quando muito, poderá humanizar a imagem do primeiro-ministro. Não vai baixar o desemprego, nem aumentar os salários.
Então, para quê aquele barulho asqueroso?
Ou não confiam na capacidade dos portugueses para pensarem por si próprios e tirarem as suas próprias conclusões?
É que, com aquela faladração toda, parecia mesmo que estavam a passar um atestado de pouca inteligência aos cidadãos portugueses.
Não se sentiram ofendidos?
Eu sei que senti.


E por hoje é tudo.

Até uma próxima oportunidade.




quinta-feira, 9 de julho de 2015

Exemplos (09/07/2015)



Olá, como estão?


Ontem, quando Alex Tsípras (primeiro-ministro grego) foi ao Parlamento Europeu, foi recebido com vaias (por deputados de direita) e aplausos (por deputados de esquerda).
Bom, primeiro que tudo, acho que não tinham nada que se manifestar – nem de uma maneira, nem de outra.
E depois, … vaias?... a sério?...
Não… só podem estar a brincar…
Infelizmente, não.
Porque aconteceu mesmo.
Eu só digo que foi uma enorme falta de respeito, não só pela instituição, como também pelo povo grego.
E aquela gentalha ainda tem a lata de se autoproclamarem democratas?!...
De qualquer maneira, só tenho a dizer o seguinte: se dizem que os exemplos vêm de cima, mas que raio de exemplo…


Este ano o Prémio Camões foi entre entregue a Hélia Correia (
http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=30&did=192852), que dedicou o prémio à Grécia, “pelo que a Humanidade lhe deve”.


Ontem, aconteceu na Assembleia da República o chamado debate do Estado da Nação.
Eu não sei o que disseram, mas aposto que o consigo resumir numa frase: o governo disse que o país estava melhor e a oposição disse que o país estava pior.
E pronto!


E fico por aqui.
Até à próxima.


terça-feira, 7 de julho de 2015

E agora?... (07/07/2015)




Olá, como estão?


Então, o “Não” ganhou na Grécia…
Bom, foi a vontade do povo grego: o povo falou através das urnas e contra a voz dos votos…
É a democracia e ponto final. Parágrafo.
E o mais curioso é que isto vem do povo que inventou a democracia.

Mas sabem o que tem mais piada?
(Na verdade, não tem piada nenhuma…)
Li algures que a Alemanha tinha dito que mais negociações, só depois do referendo.
Mas agora, como o “Não” ganhou de forma inequívoca, virou o bico ao prego e deu o dito por não dito. Fechou a porta, por assim dizer, a mais negociações.
Sabem o que isto me lembra?
Aquelas criancinhas a quem, quando as coisas não correm de feição, amuam, fazem beicinho e dizem que já não querem brincar.
E diz-se aquela Merkl democrata?...

Por duas vezes a Alemanha tentou dominar o mundo, pela força das armas.
E por duas vezes falhou.
Agora parece estar a tentar pela força dos números, o que não conseguiu pela força das armas.
E a grade culpada é a Europa.
Mas será que não aprenderam nada?
E sabem o que irrita mais?
Toda esta enorme subserviência, autêntico “beija-mão”…


Lembro duma crónica/texto na revista “Visão”, da autoria de Ricardo Araújo Pereira.
Acho que o título era “Governocar”…
Falava das aquisições automóveis deste executivo.
Quando eu li esta crónica, fiquei com uma vontade imensa de saber as marcas dos tais carros…
Sim, porque não estou a ver executivo a comprar Renault, Skoda ou Nissan.
Não, estou mais a vê-los comprar Audi, BMW ou Mercedes.
Se é que me estou a fazer entender…


E fico por aqui.
Até uma próxima oportunidade.






domingo, 28 de junho de 2015

O antes & o agora (28/06/2015)



Olá, como estão?


Não sei se repararam naquela notícia do semanário “Expresso”, acerca daquele questionário, espécie de “Quem quer ser diplomata” (http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-06-27-Acha-que-conseguia-chegar-a-diplomata--Faca-aqui-o-teste).
Quando eu li que só 22% dos alunos testados tinham obtido nota positiva, pensei que o teste devia ser mesmo muito difícil.
E quando vi que também podíamos fazer o mesmo teste, fique curiosa. Como eu adoro pôr-me à prova, confesso que fiquei mesmo muito curiosa: sempre queria ver o que saía dali…
Pois bem, acertei em 72% das respostas.
Nada mau, se me é permitida a imodéstia.
Quando respondi às questões, tive 4 tipo de respostas: as que sabia mesmo, as que tinha uma ideia mas não a certeza, as por exclusão de partes e aquelas que foram um completo tiro no escuro.
Sei que pode parecer que me estou a gabar, mas podem acreditar quando vos digo: não é esse o caso.
Eu realmente gosto de me testar, de pôr à prova.
Intelectualmente, bem entendido.
Lembro-me dum psiquiatra que consultei, quanto tive uma depressão: ele disse-me que a razão de eu trabalhar tanto o meu, vamos lá, lado intelectual, é que eu estava desesperadamente a tentar compensar a minha incapacidade física.
Percebem o que eu estou a dizer?...
Mas a verdade é que eu sempre fui assim.


Hoje apercebi-me duma coisa.
Quer dizer, eu não me apercebi, propriamente dizendo.
Porque, verdade seja dita, eu já sabia.
Acho mesmo que sempre soube.
Então, é assim: eu sou mesmo muito complicada. Complexa. Difícil.
Nunca fui de trato fácil e o facto de ser atáxica só acentuou ainda mais essa minha característica, pois ao mesmo tempo que a minha armadura exterior engrossou e endureceu, bem cá no fundo a minha sensibilidade agudizou e grita. Sempre. Bem alto e de forma ensurdecedora.
Sei que, por fora, pareço dura de roer.
Mas não é sempre assim.
Lembro-me de uma vez uma amiga minha me ter dito que eu, na verdade, tinha um coração de manteiga.
Ao que eu acrescentei: “Derretida”.

Sou cheia de contradições.
Por um lado não gosto de puxar galões e reclamar a autoria de algo, mas, pelo outro, gosto de ver quando o meu trabalho é reconhecido.
Por um lado sou muito reservada (há quem confunda essa reserva com antipatia), mas, pelo outro, gosto de ser acarinhada e me sentir integrada.
Acho que é por isso que um dos meus maiores sonhos é ter uma festa de aniversário-surpresa – que alguém tenha o trabalho de me organizar uma.
Por causa do que isso representa.
Compreendem o que eu quero dizer?...

Sabem, vou-vos contar um segredo: já fui vítima de bullying.
Quer dizer, à luz da realidade actual chama-se bullying, mas a altura chamava-se gozar.
Aliás, pelo que eu sei, o termo bullying deriva de bully, a palavra inglesa para “gozão”. Pelo menos, é esta a minha leitura.
Foi no 11.º ano – ano lectivo de 1986/87.
O meu annus horribilis.[1]
Ou seja, todas as partes envolvidas já tinham muito boa idade para saber o que andavam a fazer.
Quanto ao bullying em si, não foi físico.
Foi mais refinado, mais subtil.
Sei que me roubaram de toda a confiança e ainda hoje não sei se as manifestações físicas que então me assolaram eram apenas consequências psicológicas do que estava a acontecer, ou se já eram os primeiros sintomas da ataxia a revelarem-se.
Acho mesmo que nunca vou saber.
Mas quero acreditar que não – que uma coisa não teve nada a ver com a outra.


E como tristezas não pagam dívidas, fico por aqui.
Até uma próxima oportunidade.

  




[1] Annus horribilis – ano horrível, em latim.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O ser & o sentir (26/06/2015)

Olá, como estão?


Com muita pena minha, amanhã, Sábado, não vou poder ir a Fátima, assistir ao lançamento do livro da (E)Lisa, “ELA – Essência de uma Princesa” (https://www.facebook.com/pages/Ela-Ess%C3%AAncia-de-uma-Princesa/383475358510816?fref=ts). Mas já reservei um exemplar e desejo que tudo corra pelo melhor e que seja um sucesso!
                                            
Mas vi a participação da (E)Lisa e da Inês no programa “A tarde é sua”, na TVI, ontem à tarde, onde falaram da amizade que as une, uma amizade a ferro & fogo, forjada na e pela doença da (E)Lisa.
E senti, de forma intensa, a raiva e revolta, a dor e mágoa, a confiança e reservas. Acima de tudo, pude sentir a força incomensurável da vontade da (E)Lisa.

E hoje de manhã, não tive a hipótese, infelizmente, de ver a participação da (E)Lisa e da Inês no programa “Agora nós”, na RTP1.
Mas já vi o vídeo!

Apesar de estar muito feliz pela amizade da (E)Lisa e da Inês – e estou mesmo!, podem acreditar que estou –, fiquei também um bocado sentida, triste.
Mas atenção, se esse sentimento me invadiu, ainda que momentaneamente, não foi por causa de alguém, entenda-se.
Fiquei sentida e triste, mais comigo mesma. Porque eu não tenho ninguém assim.
Mas também, e vamos lá a ser sinceros, a grande culpada… sou eu. Eu sempre fui reservada.
Por exemplo, quando eu escrevi o meu livro “Quando um burro fala, o outro baixa as orelhas” (Chiado Editora, 2010), eu não disse a ninguém que o estava a fazer. Os meus próprios pais, só o souberam quando eu recebi a prova. Outra diferença, é que no meu livro não há fotografias.
No entanto, não tenho vergonha de mim.
Se for preciso aparecer para falar sobre a doença, eu apareço.
Aliás, já o fiz várias vezes.
Já lutei pela divulgação das ataxias na linha da frente.
Agora, recuei.
Mas continuo a lutar.

Mas coisa curiosa, sempre que “dei a cara” para falar sobre a doença, foi mesmo sobre isso que falei: a doença.
Acho mesmo que nunca falei abertamente sobre mim e os meus sentimentos.
Ou, se falei, foi sempre de forma muito superficial.
É que, não sei se estão a ver, mas eu não sei falar de mim – tenho uma enorme dificuldade.
Prefiro escrever, sempre preferi.
Foi por isso que escrevi o meu livro “Quando um burro fala, o outro baixa as orelhas” (Chiado Editora, 2010), sobre a minha relação com a ataxia de Friedreich: para exorcizar os meus demónios.
Alias, a minha escrita, mesmo o meu trabalho de ficção, não é propriamente feliz.
Não acreditam?... Então, espreitem o meu outro blogue (http://aprocuradeumahistoria.blogspot.pt) e logo falamos.


Fico por aqui.
Até à próxima.









terça-feira, 23 de junho de 2015

Iniciativas & Promoções (23/06/2015)



Olá, como estão?


Ontem, vi no Facebook que no próximo dia 26/06/2015, Sexta-feira, se vai assinalar o Dia da Reclamação, uma iniciativa da MITHÓS Histórias Exemplares – Associação de Apoio à Multideficiência (https://www.facebook.com/mithos.multideficiencia?fref=ts).
Uma iniciativa de louvar e merecedora de todo o apoio, com a qual eu, enquanto portadora de deficiência motora, me identifico.
Não vou, porque não posso.
Mas apesar da minha ausência física, vou lá estar em espírito.


Onde eu espero poder ir no Sábado, 27/06/2015, é a Fátima, ao lançamento do livro “ELA – Essência de uma Princesa”, a história de Elisa Silva que, tal como eu, também tem ataxia de Friedreich.
Mas só vou saber se vou poder ir, no próprio dia.
O certo é que eu desejo à Elisa todo o sucesso do mundo.


Onde eu agora me meti, por assim dizer, foi no 27.º Campeonato Nacional de Escrita Criativa.
Sempre gostei de competir, mais do que contra os outros, contra mim própria; gosto de desafios e de me pôr à prova. E de, pelo caminho, ir aprendendo coisas novas.
Quem quiser ir lendo os trabalhos vencedores, jornada após jornada, pode ir consultando o blogue oficial da competição: http://campeonatoescritacriativa.blogspot.com.


Uma coisa que eu nunca soube fazer, foi autopromover-me.
Basta olhar para os meus blogues (este e outro, dedicado à ficção): praticamente não têm seguidores – aproveito esta oportunidade para vos pedir, encarecidamente, que se tornem seguidores dos mesmos, combinado?...
Também estou a criar uma página do Facebook dedicada a uma personagem fictícia, Lira – A Rapariga dos Cabelos Verdes (http://www.facebook.com/lira.araparigadoscabelosverdes). Mas esta ainda não está pronta: é um trabalho em curso.
Quando faço algo, nunca fiz questão de reclamar a autoria.
Prefiro antes deixar o meu trabalho falar por si.
Mas também não admito quando outros tentam reclamar essa mesma autoria só para eles.
Era só o que faltava…
Então, a César o que é de César e o seu a seu dono.


Fico por aqui.
Até uma próxima oportunidade.